»» David ««
Sobre o presidente disse, “falou connosco neste último jogo na Madeira e prometeu resolver os nossos problemas, ou seja, liquidar os salários em atraso e começar a preparar a nova época, evidentemente que o presidente resolveu os problemas no início da época, porém tudo mudou depois do jogo com o Nacional. Notámos a ausência dele e um pequeno telefonema poderia resolver muito. Uma pequena justificação. Esse grupo que dignificou a camisola e o clube merecia mais”.
A respeito da greve aos jogos, “atenção que nem todos estariam indisponíveis a ir a jogo. Fomos a votos e a democracia prevaleceu, mas para nossa surpresa, ainda que compreensível, alguns jogadores decidiram não jogar. Falou-se na imprensa que o sindicato accionou um fundo de garantia salarial, mas nem todos os jogadores aceitaram, o que contradiz a imprensa que dizia que toda a gente tinha recebido. Magoa-me a decisão dos meus colegas, mas compreendo, estamos a falar de 6 meses em atraso. É muito.
»» Manuel Melo ««
“Brevemente terei soluções para com os jogadores que têm ordenados em atraso, sendo que o projecto que já tive a oportunidade de revelar aos capitães, David e Pedro Maciel, passará por, em primeiro lugar como já disse pagar os vencimentos em falta aos jogadores que terminaram o campeonato. Seria desonesto da minha parte não o fazer e vou trabalhar nesse sentido, acreditando que terei soluções para resolver esse problema. Em segundo começar a pensar na próxima época mantendo a espinha dorsal da equipa com estes jogadores, reforçada com elementos da formação e porque não fazer regressar alguns jogadores da terra que militam noutros clubes. É meu desejo manter a equipa técnica que findou o campeonato. O futuro passará por aí. Reduzir substancialmente o orçamento em 70%, porque o clube viveu nestes últimos anos acima das suas reais possibilidades, sendo que quando tomei posse fui na ilusão da venda de A, B ou C e acabou por não se vender ninguém. Se não se tomar providencias, o clube está em risco. Infelizmente não conseguimos boas vendas porque os atletas também são culpados, já que quando se estava em negociações, eles não tiveram mais paciência e chamaram o sindicato. Ora os empresários ao saber do que se passava desvalorizaram os valores dos respectivos passes. No caso do Júlio César por exemplo, já tinha um pré acordo para ser vendido por 250.000 euros, acabou vendido por 10.000 e o clube ficou com 30% do passe. Mesmo assim foi uma boa opção, já que o jogador estava em fim de contrato.
O Léo Souza, para além de existir muitos pretendentes chegamos a acordo com o empréstimo para um clube chinês, em que o clube receberia 50.000 dólares e os vencimentos era o clube a acordar com o atleta. O passe era metade do Valdevez e do Léo. O destino era um determinado clube o que é certo é que o nosso atleta acabou por ir para outro. Esse dinheiro não apareceu, eu demonstrei a minha insatisfação e o atleta chegou mesmo a chorar ao telefone, que estaria a complicar a vida dele, analisei a situação e acabei por aceder ao pedido do jogador, pois ficaríamos com uma despesa a menos e com os objectivos cumpridos fazendo-lhe uma contraproposta. O clube ficaria com 70% do passe dele e negociaria o Léo com o clube chinês o respectivo empréstimo. E assim foi feito. Os interesses do Valdevez acabaram por ser salvaguardados.
Quanto ao Edson, rescindiu e acabei por saber que assinou pelo Moreirense. Penso que merecia algo mais, pois tem qualidade para outros voos.
O futuro como lhe disse a Deus pertence, mas tenho que ver também a minha vida e não posso colocar o Valdevez à frente da minha família e já fiz muito pelo Atlético, sendo que as pessoas têm a memória curta.”
Entrevista cedida pelo jornal